quarta-feira, 19 de agosto de 2009


Minha boca tinha gosto de sangue quando eu saí de casa, às vezes ela tem esse gosto não porque, fui andando em busca da avenida principal, ao sair da sombra não pude conter o espasmo de fechar os olhos diante daquele solzão, mesmo estando de óculos escuros. Tinha que fazer tantas coisas, passar em tantos lugares, ver tanta gente, que nem sabia por onde começar. Respirei fundo e subi a rua em direção ao centro, passei no banco, estava com a conta vazia (mas que surpresa!Minha mãe esquecera de mim de novo) agora não poderia mais ir onde iria antes, nem ver quem eu teria que ver.
E no sol das duas da tarde uma única palavra rondava meus pensamentos: Água!
Desci a avenida em direção ao ponto onde o ônibus passa gratuitamente, quase fui atropelada por um carro, e mais adiante atropelei uma flor que estava no chão, virei o rosto para cima, entanto ver de onde caíra flor tão linda que mais parecia um pedaço de nuvem cor de rosa, me surpreendi ao ver que não só essa flor, mas muitas outras se desprendiam dessa árvore enorme, porém, maior foi a minha surpresa, ao observar que a árvore ficava perdida no meio da cidade, num lugar onde eu nunca havia passado antes.
Em fração de segundos me senti como uma exploradora que acaba de descobrir um paraíso selvagem, uma terra desconhecida. Então a buzina de um carro me assustou, como se dissesse: "Helloo, você ainda está na cidade grande!". Resolvi sentar - me um pouquinho, ali mesmo sobre as folhas secas, o ar estava pesado e eu gripada, isso me deixou muito cansada. Sentada ali pude reparar melhor na natureza que mora em meio a selva de prédios e casas, a cidade é cinza, mas não é morta. Dali vi o lago e outras árvores também carregadas de flores... Tudo era tão lindo, pena que eu tinha que ir . Levantei - me e peguei uma flor para me lembrar do momento magico que eu vivenciei. Uma ventania soprou e arrancou o pequeno botão da minha mão. Ouvi o vento dizer: "Não faça isso, não leve lembrança alguma, vá e não olhe para trás, talvez nos veremos de novo..."

Espero poder reencontrar, a mesma flor, a mesma árvore, as mesmas folhas e o mesmo vento, mas não espero reencontrar a mesma Miranda, quero deixar de lado o que sou, e tentar melhorar, quero que a minha falta de espírito vá embora, assim como o vento varreu a flor da minha mão...

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