quarta-feira, 24 de junho de 2009

Delíro de uma noite de Febrão.


Estava difícil manter os olhos abertos, após um dia inteiro lutando contra uma febre que não cessava eu resolvi desistir da batalha, deixei que o calor febril tomasse conta do meu corpo - e que calor! - fui amolecendo, amolecendo... Acho que dormi por 15 minutos. Quando abri meus olhos de novo o mundo todo era um borrão, não havia mais meu quarto, nem minha cama, eu estava em um uma outra dimensão, era tudo tão branco e desfocado, tudo que eu consegui distinguir foi a forma que entrou em meu quarto e parou ao lado da minha cama, passou a mão em meu rosto, depois em meu cabelo, só pude ver seus olhos, que olhando fundo nos meus perguntou: "Você tá bem coração?". Não me lembro o que respondi, nem se respondi. O fato é que sua presença tirou um pouco do medo que eu tinha de morrer. Colocou minha cabeça sobre seu colo e pediu que eu dormisse, relaxasse e não pensasse em nada. Dormi por mais alguns minutos e acordei com um calor estonteante que me sufocava como uma jibóia em volta do meu pescoço, tudo fervia dentro de mim, não aguentei, corri ao banheiro e fiquei lá quase toda a noite, a pessoa não soltou minha mão, aquilo me confortava. Depois que as ânsias passaram eu voltei para a cama, ele pediu que eu tirasse as meias e minha blusa de frio, porque assim o calor exalaria eu poderia me ver livre daquele incomodo, fraca nem pensei somente obedeci. Realmente melhorei, e agora podia ver, além de seus olhos sinceros, seu sorrisão franco e aberto, tocou de leve meu rosto, segurou minha mão e me colocou pra dormir.
Acordei no outro dia, com a luz do sol entrando pela minha janela, não havia sinais de que alguém havia estado lá do meu lado. Não havia sua presença, nem seu sorriso, nem seu olhar compadecido, nem seu toque carinhoso. Sei que tudo não passou de um delírio febril, pois você está a 400 longos quilômetros de mim. Uma coisa eu posso dizer que não foi sonho, ou surreal, realmente senti você ao meu lado. Senti sua presença, sinto sua falta. Carpe Diem.

domingo, 21 de junho de 2009

Pensamentos de uma quase morta.


Estava aqui deitada (porque agora me sentei) lendo sobre Karl Marx e Max Weber e suas teorias, mas não pude deixar de pensar em uma coisa que há muito tempo está perturbando minha cabeça... Pensei : "Por que não escrever?". Já que criei esse meu inferninho para por pra fora ideias que só servem pra ocupar espaço, seja na minha cabeça ou numa página na Internet, o espaço que as folgadas ocupam é enorme.
Voltando ao que estava pensando... Se eu morresse... Sei que é bem cliché mas, se eu morresse, assim, de repente, teria aproveitado tudo o que tinha direito? Tudo o que a vida me proporcionara até o segundo do último suspiro?Então acabo voltando toda minha vida... E passo ela desde o dia em que me lembro até esse momento em que eu estou aqui em frente ao monitor aceso. Viro para o lado miro - me no espelho e pergunto em voz alta: " Miranda, você está satisfeita?". Meu reflexo abre a boca parecendo que queria dar alguma resposta, mas, ao invés disso o espelho apenas devolve um olhar de dúvida e dá de ombros. (Hotel California começa a tocar). Olho no fundo dos meus olhos castanho - escuros, olhos que viram muita coisa, porém nunca miraram fundo o bastante em outros que pareciam estarem voltados só para mim. Ponho minhas mãos em frente meu rosto, são pequenas e brancas, bonitinhas até, fofinhas como dizem alguns, recordo - me triste que elas nunca tocaram um rosto amado para mim e ninguém me tocou de verdade (entendam como quiserem).
Voltando de novo meu rosto ao espelho passo o dedo no contorno dos meus lábios, eu os adoro. Nunca disseram "eu te amo", nunca beijaram a boca de quem disse isso pra mim. Fico triste, mas ainda posso ouvir meu coração batendo, pois não estou morta lembra? Ponho a mão sobre ele que não bate muito forte, mas o suficiente para fazer meu sangue pulsar nas veias, com as mãos sobre o peito olho no espelho de novo, olhos gélidos, rosto sem vida, coração de pedra.... Penso: "Será que estou MESMO viva?". Como pude viver 18 anos sem amar? Sem amor e sem beijar na boca de quem eu quiser? E daí que tenha namorada, que seja baixinho, ou feio ou que seja mulher! Olho - me com fúria, digo bem baixinho: "Fria, covarde, como desperdiça esse rosto de princesa com essa expressão arrogantezinha superior? Essa cara carrancuda e de poucos amigos? Depois reclama que ninguém quer ficar perto de você!".
Levanto da cama, ponho o notebook sobre o colchão e saio correndo até o banheiro, jogo água gelada no rosto e o esfrego até ficar vermelho. Olho no espelho pela ultima vez, agora com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar grito com todo o ar de meus pulmões : " Deus! O Senhor tem sido tão bom comigo!Por favor, deixe - me viver até segunda e aproveitar o fim de semana!".
Após isso foi como se todo o peso que eu carregava saísse de uma vez de meus ombros, fui "flutuando" até a cama, dormi muito bem, e acordei hoje me apalpando pra saber se estava tudo em ordem. Tô com MUITA vontade de viver.